quarta-feira, 12 de junho de 2013

Bang Bang Você Morreu


Resolvi fazer uma série de publicações de textos montados pelos alunos do Instituto de Educação Ivoti, dos alunos do Município de Ivoti, dos Projeto Teatro na Escola e do Plug. Fica-se claro, que os textos são adaptados e algumas coisas vamos mudando pelo caminho, na construção do texto. Vamos resolvendo os problemas em cena. 
Só espero que estes textos sejam importantes para os leitores. 















Instituto de Educação Ivoti
Teatro 2011                                                                 Prof. Edmar






Bang Bang Você Morreu


Adaptação por Edmar Galiza, do texto homônimo de William Mastrosimone


























Bang Bang Você Morreu
Adaptação Edmar Galiza
Oficina 1o ano do Ensino Médio




Personagens: Josh -   Rafael Fink
 Michael – Cristian Hopler
 Katie- Vanessa
 Matt – Bruno Schwingell
 Jassie – Ana Carolina Ledur
 Emily – Liara Brehm
Ator 1- Thiago Ebhart
Ator 2- Ana Júlia Knevtiz
Ator 3-
Ator 4- Moema Lamb Schaffer
Ator 5- Camila Alves
Ator 6- Stefanie Port
Mãe de Josh – Ariele Gerke
Pai de Josh – William Roese
Tamborista  -  Lucas Bitiski
Defensor publico - Ricardo
Juiz -  Milena MEnz
Testemnunha -Natã Dieter
Promotor – Tainá Schott
Primeiro jurado – Moema Lamb Schaffer
Policial –
Psiquiatra – Pablo Roloff Schneider
Diretora: Liara Brehm
Avô – Jonas Ben

A Gabriela Guterres está responsável pela produção (que é a organização do espaço, material, anotações e por fim, na iluminação e sonoplastia).

 (Escuro total. Uma voz no escuro. Após alguns momentos uma lanterna explora o palco na altura do chão, e então encontra Josh dormindo na cama da prisão. Josh acorda sobressaltado)


JOSH:Quem está aí? Quem é? Quem está aí?
(Michael segura a lanterna debaixo do queixo, iluminando somente seu rosto)
MICHAEL:Por que eu?
JOSH:O que é isso? O que é isso?
MICHAEL:Nós jogávamos bola junto. Você era incrível no campo. Você era incomparável.
JOSH:Sobrevivência do mais forte, querido.
MICHAEL: E você era só um novato. Por que você me matou? Eu nunca te machuquei.
JOSH: Foi mais divertido do que os caras caindo no videogame.
(A lanterna de Michael se apaga. Katie segura a lanterna em seu queixo)
KATIE: Por que eu, Josh?
JOSH: Por que não? O mundo está superlotado. Eu só fiz a minha parte.
KATIE: Você gostava de mim.
JOSH: As coisas mudam.
KATIE:Por que você teve de me matar?
JOSH:Por que eu quis, ok? Feliz?
(A lanterna de Katie se apaga. Matt segura a lanterna sob o queixo)
MATT:Por que eu?
JOSH: O que é isso?
MATT: Por que eu? Eu nem te conhecia.
JOSH: Você estava no lugar errado na hora errada.
(A lanterna de Matt se apaga. Jessie segura a lanterna em seu queixo)
JESSIE:Por que eu?
JOSH:Por que não? Todos têm de morrer um dia.
(A lanterna de Jessie se apaga. Josh se deita na cama novamente. Emily se debruça sobre ele, segurando sua lanterna no queixo. Josh salta, surpreso.)
EMILY:Por que eu Josh? Morávamos na mesma rua. Nós costumávamos brincar juntos. Eu fui nos seus aniversários, você veio aos meus. Quando tínhamos onze, você me deixava brincar de guerra com você e os outros garotos por que você gostava de como eu morria.
(Os cinco mortos improvisam crianças brincando de guerra, usando armas de mão e fazendo barulhos de tiros. Eles correm no escuro, as lanternas varrendo o chão, procurando o inimigo, as luzes cruzam-se. Eles gritam “Bang Bang, você morreu!”, “pow”, etc. Finalmente, Emily “mata” Katie e Matt cai morto. Michael morre também. Emily morre dramaticamente, com todos os sons apropriados. Pausa.)
EMILY (DEITADA NO CHÃO): Espero não tê-lo desapontado na lanchonete, hoje de manhã. Espero ter morrido certo para você, Josh.
JOSH: Você não tinha que cair em mim.
EMILY:Você quer ver? Vai. Atira em mim de novo.
(Josh finge que atira nela. Ela morre dramaticamente novamente.)
JOSH:Adoro essa sensação.
ATOR 2: Ame.
ATOR 4:Deseje.
ATOR 5: Necessite.
ATOR 2:Tenha uma arma apertada em sua mão.
TODOS: Mão.
JOSH: Sempre quis ser das Forças Armadas, sempre gostei de armas.
ATOR 4: Uma arma de brinquedo.
ATOR 5: De água.
ATOR 2:De ar.
ATOR 4: De estouro.
ATOR 5:De Festim.
JOSH: Calibre 12.
ATOR 2: 22.
ATOR 4:38.
ATOR 5:45.
JOSH:Uma arma te faz sentir vivo.
TODOS:VIVO
ATOR 2: Respeitado.
ATOR 4:Cuidado!
ATOR 5:Saia da frente!
JOSH:Ninguém pode te tocar.
ATOR 2:Quando você tem uma arma...
JOSH:Ninguém te zoa.
ATOR 4:Quando você tem uma arma...
JOSH :Você ganha de qualquer um.
ATOR 5:Qualquer um!
ATOR 2:Um lutador campeão.
ATOR 4: O time de luta inteiro.
ATOR 5:Os caras maus.
ATOR 2: As gangues.
JOSH:Quando você tem uma arma, as pessoas falam agradavelmente.
ATOR 4:Quando você tem uma arma...
JOSH: As pessoas te olham como V.I.P
TODOS:V.I.P!
ATOR 5:Se alguém esbarra em você, eles dizem “Desculpe”.
JOSH:Você anda diferente...
ATOR 2: Quando você tem uma arma.
JOSH:Você fala diferente...
ATOR 4: Quando você tem uma arma.
JOSH:Você pensa diferente...
ATOR 5:Quando você tem uma arma.
JOSH:É tão legal!
ATOR 2:Quando você tem uma arma.
TODOS:ARMA!
ATOR 4: Você é o cara.
ATOR 2:É uma cesta.
ATOR 5:É um nocaute.
ATOR 2:É um gol.
ATOR 5:Tudo isso juntos.
TODOS:JUNTOS!
 (As luzem acendem. Ator 1 e Ator 3 como os pais de Josh. Os mortos iluminam os pais de Josh enquanto entram.)
A MÃE DE JOSH):Josh, de jeito nenhum vamos te comprar um rifle.
JOSH:Mãe, você quer me ouvir?
PAI DE JOSH:Primeiro, você tinha que ter um computador, e então todo videogame já lançado, e seu notebook...
JOSH:Para a escola, pai.
MÃE:E então um celular, um ipode,  os Nikes mais recentes a cada 3 meses...
 PAI:Você tem que ter todos os CDs que você ouve no rádio.
MÃE:Uma bicicleta caríssima que você só andou 3 vezes. E uma prancha de surf que você nunca usou. E agora, um rifle?
MÃE:Sou totalmente contra.
JOSH:O vovô caça. Está rejeitando o que seu próprio pai pensa?
PAI:Claro que não.
JOSH:Então eu deveria ter um rifle, certo?
MÃE:Eu só queria que você sentisse tanta paixão por suas notas quanto você tem por esse rifle.
PAI: Você tem um Q.I alto. Seus 6 e 7 poderiam ser todos 10.
MÃE:Nós poderíamos nos sentir melhor se você estivesse vivendo todo o seu potencial.
JOSH:Vocês não confiam em mim.
MÃE:Josh, você sabe que isso não é verdade.
JOSH:Se vocês confiam em mim, então me deixem ter um rifle agora.
PAI:Quando você tiver os 10, discutiremos.
JOSH:A temporada de caça acaba antes de minhas notas saírem. Vou ter que esperar um ano inteiro!
PAI:Você aprende a ter paciência.
JOSH:Caçar ensina paciência. O vovô que disse. Mas o que ele sabe? Ele é só seu pai. Tudo o que eu quero é passar um tempo com o vovô e ouvir sobre quando ele era jovem. Aprender responsabilidade. Aprender respeito pelas armas de fogo. Como isso pode ser ruim?
(Atores 1 e 3 saem discutindo.)

Cena 2
JOSH:Dividir para conquistar. Sempre funciona.
EMILY:Você ainda não respondeu minha pergunta, Josh. Por que eu? Por que você me matou?
JOSH:É pura matemática. Meu rifle segura 5 balas. Cinco pessoas, cinco balas. Perfeito.
MICHAEL:A bala que me matou também atravessou o coração dos meus pais.
KATIE:Atravessou o coração dos meus irmãos e irmãs.
MATT:Atravessou o coração dos meus amigos.
JESSIE:Atravessou o coração de pais que deixam suas crianças na escola.
EMILY:Somente 5 balas que feriram centenas.
MICHAEL:Milhares.
KATIE:Feridas que sangram.
MATT:Feridas que choram.
JESSIE:Feridas que nunca se curam.
EMILY:Feridas que são bem reais.
TODOS:Milhares!
JOSH:Vão embora.
(Josh se abaixa para dormir novamente. Emily arranca seu cobertor.)
EMILY:Essa resposta não é boa suficiente, Josh.
MICHAEL:E isso não é justo.
KATIE:Não é nada justo.
MATT:Nada justo.
JESSIE:Que nossos corpos estejam em caixões.
EMILY:Enquanto você ainda respira o ar.
JOSH:Vejam o lado bom. Vocês nem precisam pagar aluguel.
MICHAEL: Não é justo.
KATIE:Nada justo.
MATT:Nada justo mesmo.
JESSIE:Que estejamos debaixo da terra...
EMILY:E você nem liga.
JOSH:Sabem o que não é justo? Um cara pulou em cima de mim antes que eu tivesse a chance de recarregar. Eu poderia ter derrubado mais corpos e feito história.
MICHAEL:Nós exigimos uma resposta honesta, Josh. Por que? Por que teve que nos matar?
(Os cinco mortos formam um círculo e empurram Josh como uma bola.)
KATIE:Você não tem o estado de espírito necessário.
MATT:Estaremos todos com você.
JESSIE:De um lado.
EMILY:E do outro.
MICHAEL:Na sua cara.
KATIE:Debaixo da pele.
MATT:Até nos contar por quê.
JESSIE:Por que?
EMILY:Por que teve que nos matar?
JOSH:Caiam fora.
MICHAEL:Nós vamos abrir você.
KATIE:Te dissecar como um sapo.
MATT:Arrancar seu coração.
JESSIE:Só pra começar.
MICHAEL:Até nos dizer por quê.
EMILY:Por que?
MICHAEL:Por que?
KATIE:Por que qualquer um?
MATT:Por que?
JESSIE:Por que?
EMILY:Por que teve que nos matar?
MATT:Amargo, velho homem.
JESSIE:Cheio de cicatrizes.
MICHAEL:Cicatrizes no corpo e na mente.
KATIE:Sem amigos.
MATT:Sem esperança.
JESSIE:Sem mente.
EMILY:Sem alma.
JOSH (RINDO):Algum advogado vai me tirar daqui.
MICHAEL:Se você sobreviver.
JOSH:Sobreviver a quê?

CENA 3
TAMBORISTA (COMO CONDENADO):Hey, menino mal.
JOSH:Você está falando comigo? Meu nome é Josh. Qual é o seu?
TAMBORISTA (COMO CONDENADO):Você é o cara novo que acabou com aquelas pessoas?
Amanhã, veremos quão mal você é, garoto.
JOSH:O que quer dizer?
TAMBORISTA (COMO CONDENADO):Você vai ver amanhã, garoto.
JOSH:(para si mesmo): Uau!
MICHAEL:Está sentindo esta cela começar a encolher?
KATIE:As paredes se fechando?
MATT:Comprimindo seus pensamentos?
JESSIE:Esmagando seu cérebro?
EMILY:Te levando à loucura?
MICHAEL:Você vai desejar estar morto muito em breve.
KATIE:Sua cela será seu caixão.
MATT:Ninguém vai ouvir.
JESSIE:Quando você gritar e chorar.
EMILY:Por que? Por que? Por que nos matou?
JOSH:Vocês não podem me machucar. Estão todos mortos.
MICHAEL:Precisamos das respostas, Josh.
KATIE:Queremos as respostas hoje à noite, Josh.
MATT:Queremos a verdade.
JESSIE:Toda a verdade.
EMILY:E nada além da verdade.
JOSH:Como o policial disse, eu tenho o direito de permanecer calado. O que disser será usado contra mim no tribunal.
(Ritmo rápido de tambor. Os mortos abrem o circulo, formando uma linha vertical atrás de Josh. O juíz  fica atrás do palanque e bate o martelo.{Por que a cena é só uma fantasia, deve ser feita rapidamente, sem pausa, para que o julgamento de Josh acabe em questão de segundos.)
JUÍZ:A corte irá ouvir a declaração inicial da Promotoria.
PROMOTOR:Vossa Excelência, senhoras e senhores do júri: sete corpos. Dúzias de testemunhas. O que ainda há para se pensar? 
 ATOR 2 ( COMO JUÍZ):A corte irá ouvir agora o defensor público.
ATOR 1 ( COMO DEFENSOR PÚBLICO):Josh era um bom aluno, um estudante popular, um bom filho. Só há uma explicação: Insanidade Temporária.
ATOR 4 (COMO PROMOTOR):Eu invoco a testemunha da Promotoria.
ATOR 3 (COMO TESTEMUNHA):Josh puxou as asas de uma borboleta quando tinha 5 anos e plagiava os trabalhas para a aula.
ATOR 2 (COMO JUÍZ):A corte irá ouvir agora as declarações finais.
ATOR 4 (COMO PROMOTOR):Ao meu ver, vocês do júri tem uma decisão muito difícil em suas mãos. Entre a cadeira elétrica e a injeção letal.
ATOR 1 (COMO JUÍZ):Senhoras e senhores do júri, ele é uma criança. Eu imploro que internem Josh numa instituição psiquiátrica.
JOSH:Eu não sou maluco só por que me fizeram ver um psiquiatra. Eu sabia o que estava fazendo!
 ATOR 2 (COMO JUÍZ):Senhoras e senhores do júri, já chegaram a um veredito?
ATOR 5 (COMO PRIMEIRO-JURADO):Nós chegamos, Sua Excelência. Prisão perpétua sem possibilidade.
JOSH:Possibilidade de quê?
ATOR 5 (COMO PRIMEIRO-JURADO):Sem possibilidade de nada bom.
(Pausa. As luzes se apagam. Todos menos os mortos e Josh deixam o palco.)
EMILY:Nunca vai saber o que poderia ter sido...
MICHAEL:Feito...
KATIE:Visto...
MATT:Tido...
JESSIE:Conhecido...
EMILY:Amado na vida inteira.
MICHAEL:Agora você nunca vai conhecer toda a felicidade que era sua.
KATIE:Mas você imagina.
MATT :E essa imagem te comerá vivo.
JESSIE:Te comer no café-da-manhã.
EMILY:Às vezes, os pesadelos se tornam realidade.
(Os mortos embrulham Josh no cobertor, o levantam fazendo da caixa, um caixão. Eles deixam ele cair dentro, fecham a tampa. Ouve-se Josh chutar e gritar dentro da caixa. Eles viram a caixa, a tampa cai e Josh rola fora dela gritando e chutando. Ele olha para os mortos com um respeito novo.)
MICHAEL: É assim que se sente debaixo da terra.
KATIE:No escuro.
MATT:Sozinho.
JESSIE:No silêncio.
EMILY:Nós realmente precisamos de respostas, Josh. No que estava pensando?
KATIE:O que havia no seu coração?
MATT:Por que sorriu enquanto nos matou? Você não se sentiu mal?
EMILY:Você pensou naquele cervo quando atirou em mim?
(Josh está surpreso por eles saberem da história do cervo. O tom muda. Josh se sente vulnerável por eles conhecerem sua mente.)
JOSH:Que cervo?
(Os mortos movem a caixa para outro lugar.)
MICHAEL:Você sabe que cervo.
KATIE:A sua primeira vez caçando.
MATT: Com seu avô.
JOSH:Como vocês sabem disso?
JESSIE:Nós sabemos tudo sobre você.
EMILY:Seus pensamentos.
KATIE:Memórias.
MATT:Sonhos.
JESSIE:Nós sabemos todos os seus piores segredos.
EMILY:Estamos todos na sua cabeça.
MICHAEL:Só você e seu avô na velha caminhonete vermelha.
(ATOR 1 como avô, se senta perto de Josh na caixa que vira a caminhonete.)
ATOR 1 (COMO AVÔ):Respeite os animais. Não dispare a não ser que tenha certeza. Faça rápido e limpo. Se não, o animal sofre.
JOSH:Hmm!
KATIE:A velha estrada de terra está cheia de troncos.
JESSIE:Vocês saltam no assento. Mal pode esperar para usar seu novo rifle.
JOSH:Estou ansioso?
MATT:Vocês dois saem da caminhonete. Está frio. (os atores fazem como se estivessem com frio)
JESSIE:Seu avô o olha enquanto você carrega a arma.
EMILY:Cinco balas brilhantes.
MICHAEL:Você mostra que a trava está no lugar.
JESSIE:Você cochila.
EMILY:Cochila por 10, 15, 20 minutos.
MICHAEL:Então algo o acorda.
KATIE:O farfalhar das folhas secas.
MATT:Você não se mexe.
JESSIE:O farfalhar das folhas se aproxima.
EMILY:E então você vê.
MICHAEL:Um cervo.
MATT:Maravilhoso.
JESSIE:Forte.
EMILY:Orgulhoso.
MICHAEL:Vivaz.
MICHAEL:Hora de aatar o orgulhoso...
KATIE:Matar o cervo.
MATT:A hora chegou.
JESSIE:Hora de virar homem.
EMILY:Mas lá no fundo você não sabe se tem coragem para puxar o gatilho.
MATT:Mas você deve voltar para casa um homem ao final do dia.
 (Josh finge ter um rifle. ARMAS DE QUALQUER TIPO NUNCA FAZEM PARTE DESTA PEÇA.)
EMILY:Você não acha o cervo na mira...
MICHAEL:Por que suas mãos estão tremendo.
KATIE:Prende a respiração.
JESSIE:O momento da verdade chega.
EMILY:Mas o cervo é bonito demais para matar.
MICHAEL:Você puxa o gatilho! Nada acontece!
KATIE:A trava está puxada!
MATT:Você entra em pânico.
JESSIE:Você destrava a arma.
EMILY:O cervo vira e corre como o vento.
MICHAEL:Você mira…
TODOS OS MORTOS:Bam!
(cada “bam” tem uma batida de tambor)
KATIE:O primeiro tiro erra!
TODOS OS MORTOS:Bam!
MATT:O segundo tiro erra!
TODOS OS MORTOS:Bam!
JESSIE:O terceiro tiro erra!
TODOS OS MORTOS:Bam!
EMILY:O quarto tiro erra!
KATIE:Você acha o cervo perto de uma árvore.
MATT:É tão belo.
JESSIE:Maravilhoso.
EMILY:Orgulhoso.
MICHAEL:Forte.
KATIE:Tudo que você quer ser.
MATT:Mas o cervo tem que morrer para você virar um homem...
TODOS OS MORTOS:Bam!
(A última batida no tambor)
MATT:O cervo cai!
JESSIE: Você deseja que seja tudo um jogo. Um jogo.
EMILY:Um videogame.
MICHAEL:Só aperte o reset.
KATIE:E comece de novo.
MATT:Comece de novo.
JESSIE:Comece tudo de novo.
JOSH:Eu pensei que seria divertido. Eu não sabia que seria assim. Por favor, não morra.
EMILY:O cervo toma seu ultimo suspiro...Você quase cai no choro.
MICHAEL:Mas você ouve botas na folhagem seca.
KATIE:Vovô chega sem ar.
MATT:Ele vê o cervo morrendo.
JESSIE:Ele olha para você como nunca olhou antes.
EMILY:Como um homem.
MICHAEL:Como prometido.
KATIE:Um homem ao final do dia.
MATT:Vovô pega a câmera.
ATOR 1 (COMO AVÔ):Vamos, Josh. Não vai sorrir no seu momento de glória?
JESSIE:Você pára suas lágrimas.
EMILY:E posa para a câmera.
MICHAEL:Você quer que o mundo seja você e seu cervo.
KATIE:Está morrendo para contar a historia.
MATT:A história de como o fez cair
JESSIE:De como tirou sua magnificência.
EMILY:Tirou seu orgulho.
KATIE:Tirou sua força.
MATT:Tornou-o parte de você.
JESSIE:Parte de sua máscara.
EMILY:O garoto que ninguém conhece.
(As luzem acendem. Katie escreve em seu caderno. Entra Josh)
JOSH:Oi Katie.
KATIE:Oi.
JOSH:Escrevendo aquela apresentação oral? (ela volta ao caderno). Adivinha sobre o que eu escrevi?
(mostra a foto a ela.). O cervo que matei no fim de semana. Cara, foi tão legal. Sobre o que é o seu?
KATIE:Como dar o fora em alguém.
JOSH:E como está indo?
KATIE:Por exemplo, quando seu namorado diz que vai te encontrar no shopping para te levar ao cinema e ao Invés disso, ele vai caçar.
JOSH:Qual é, Katie. Nós podemos sair esse fim de semana.
KATIE:Eu não acho que devemos sair mais.
JOSH:Você não pode me dar outra chance?
KATIE:Eu gosto de outra pessoa.
JOSH:Quem?
KATIE:O que importa?
JOSH:Me diz quem.
KATIE:Não importa.
JOSH:Para mim, importa.
Tiroteio
MICHAEL:Quem você está matando, Josh?
KATIE:Quem está matando em sua mente?
JOSH:Ninguém. Qualquer um. Todo mundo.
MATT:Está preso no filme de novo?
JOSH:Que filme?
JESSIE:Seu filme preferido.
JOSH:Como vocês sabem meu filme preferido?
EMILY:O filme que faz a dor ir embora.
JOSH:E como é?
MICHAEL:O garoto volta à escola com um revólver.
KATIE:Mata todos que zoaram dele no dia anterior.
JOSH:Cala a boca.
MATT:Mata o professor também.
JOSH:Caiam fora.
JESSIE:Por que está matando aula de ginástica?
JOSH:Talvez tenha algo melhor para fazer.
EMILY:Como escapar pelo corredor?
MICHAEL:Entrar escondido na sala de aula?
(Josh usa a parede como lousa, finge escrever com um pedaço de giz.)
KATIE:O que está escrevendo na lousa?
JOSH:(ditando as palavras enquanto finge escreve-las)
Todos...nesta...sala...são...carne...morta.
MATT:Você gosta de deixar todos com medo?
Cena da diretora
(Josh fica entre os atores 1-4. Os mortos fazem conversas paralelas das crianças chegando no auditório. Os mortos iluminam a diretora enquanto ela entra. Novo ritmo nos tambores na chegada e então silêncio.)
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Tudo bem, pessoal, vai sentando...
ATOR 2:Você está suando, Josh.
JOSH:Está quente aqui, ok?
(As lanternas se apagam)
ACTOR 5 (COMO DIRETORA):Alguém neste auditório escreveu algumas palavras bem ameaçadoras no quadro negro. Talvez, o “fantasma do quadro negro” escreveu aquelas palavras num trote, talvez na raiva. Em qualquer caso... Se a parte culpada se entregar ao meu escritório em qualquer hora do dia de hoje, a punição será mínima...
ATOR 3:Talvez ela saiba que foi você, Josh.
JOSH:Se ela soubesse que era eu, ela não falaria desse jeito...
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Mas se nós descobrirmos quem ele ou ela é... A punição será severa. Se você sabe quem  o fantasma do quadro negro é e não nos contar, será considerado tão culpado quanto...
JOSH:Alguém vai rir na minha cara? (risos param.)
Foi o que eu pensei. Há um potencial assassino à solta! Quem ele ou ela será? (Josh se vira para ver a diretora olhando para ele.)
Diretora sai, todos ficam cochicham, riem e apontam para Josh, diretora volta...
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Posso falar com você em minha sala, Josh? Entre. Sente-se.
JOSH:Obrigado.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Tem  algo a me dizer, Josh?
JOSH:Não.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Tem certeza?
JOSH:Oh sim. Esse novo corte ficou ótimo.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Algo mais?
JOSH:Bem, na verdade, sim, tem algo.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Bom. O que é?
Eu realmente espero que achem o maluco que escreveu aquilo no quadro.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Você espera?
JOSH:Vamos todos nos sentir melhor sabendo que estamos seguros.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Nós sabemos quem o fantasma do quadro negro é, Josh.
(Josh ri.) Você quer confessar?
JOSH:Eu estava na aula de ginástica.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):O professor disse que você fez uma pausa para ir ao banheiro. Muito longa!
JOSH:Não pode provar nada.
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Nós temos um suspeito.
JOSH:Quem?
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Você.
JOSH:O que?
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Nós comparamos a letra do fantasma com a do seu último trabalho de Inglês. São idênticas.ATOR 5 (COMO DIRETORA):Você quer tornar as coisas mais fáceis confessando?
JOSH:Por que deveria confessar se eu não fiz nada?
ATOR 5 (COMO DIRETORA):É trágico quando um garoto tão talentoso joga fora sua educação por – o que? Uma brincadeira infantil. Você sabe sobre nossa política de tolerância zero à violência ou até mesmo, a ameaça de violência. Eu não tenho escolha, a não ser expulsa-lo pelo resto do ano.
JOSH:Por causa de umas palavras idiotas, eu tenho que repetir o ano?
ATOR 5 (COMO DIRETORA):Não se você compensar fazendo o curso de verão.
(Josh sai gritando “eu não vou”, enquanto o coro de risadas zomba dele. As luzes se apagam do ATOR 5. Acendem nos atores 1 e 3, como os pais de Josh.)
JOSH:Eu não vou! Eu não vou!
ATOR 3 (COMO MÃE):Josh, você vai ao curso de verão não importa o que.
ATOR 1 (COMO PAI):Você devia ter pensado nisso antes de escrever naquele quadro.
ATOR 2 (COMO MÃE):E você está de castigo, Josh.
JOSH:Por quanto tempo?
ATOR 3 (COMO PAI):O verão inteiro.
JOSH:Não posso ir caçar com o vovô?
ATOR 1 (COMO PAI):Você quebrou sua promessa. Nós tiramos o rifle de você.
JOSH:Eu prefiro morrer!
ATOR 3 (COMO PAI):Oh, Josh, você não prefere de verdade.
JOSH: Eu não posso agüentar! Expulso! Curso de verão! Cortado do time de futebol! Os garotos rindo de mim! Sem caçar! Eu estou no meu limite!
ATOR 1 (COMO PAI):Eu acho que devia se acalmar.
JOSH:Eu quero meu rifle de volta. Vocês me deram ele.
ATOR 1 (COMO PAI):Sinto muito. Você o terá de volta quando notarmos uma mudança real na sua atitude.
JOSH:Foi um presente. Pelo menos foi o que disseram. Acho que não posso confiar em uma palavra do que dizem.
ATOR 3 (COMO MÃE):Você já está numa grande encrenca. Não piore as coisas.
JOSH:Eu odeio vocês dois. Eu queria que vocês simplesmente morressem para eu não ter que olhar para suas caras novamente.
(Josh finge ter uma arma e atirar nos dois.)
ATOR 1 (COMO MÃE):Você não pode falar assim conosco. Vá para seu quarto!
ATOR 1 (COMO PAI): Como o criamos mal. Nós quisemos lhe dar uma boa vida, mas tudo o que fizemos foi satisfazer seus apetites.
JOSH:Onde está? Onde está meu rifle?
ATOR 1 (COMO PAI):Está trancado. E se sua atitude não melhorar, vamos vende-lo.
ATOR 3 (COMO MÃE): E a começar por amanhã, você tem uma entrevista com uma psiquiatra
JOSH:Curso de verão. Sem rifle. Sem amigos. Sem telefone. Psico-tortura. Está acabada. Minha vida acabou. Acabou.
(Josh dá um chilique se jogando no chão e berrando “acabada”. Luzes no ATOR 4 como psquiatra.)
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA.):Como está, Josh?
JOSH:Como eu poderia estar se estou sendo forçado a ver uma psiquiatra?
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA.):Você não quer chegar ao fundo dos seus problemas?
JOSH:Eu não tenho nada a lhe dizer.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Por que não?
JOSH:Se eu te dissesse, eu teria algo a dizer, não é? Dããããh.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Eu falei com algumas pessoas na sua escola. O treinador de futebol elogiou seu espírito de equipe. Apesar de ser o palhaço da classe, seus professores dizem que é brilhante e agradável. Você teve notas incríveis no passado. Há um boato de que é um sucesso com as garotas.
JOSH:Eu quebrei alguns corações.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Com tudo isso à seu favor, por que escreveu aquilo no quadro negro?
JOSH:Por que a galinha atravessou a estrada?
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Eu desisto.
JOSH:Para provar que não tinha medo.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Por que o macaco caiu da arvore?
JOSH:Não sei.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Ele morreu. Por que o segundo macaco caiu da árvore?
JOSH:Não sei.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Ele morreu. Por que o terceiro macaco caiu da árvore?
JOSH :Ele morreu.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Não. Pura pressão.
JOSH:Há, há, há.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Por que escreveu no quadro negro, Josh?
JOSH:Talvez tenha sido minha infância. Talvez meus genes. Talvez meu horóscopo. Talvez o diabo tenha me obrigado.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Talvez você tenha escolhido fazê-lo e não é culpa de ninguém mas sua.
JOSH:Eu não gosto de você.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Isso não é necessário. Mas é necessário que me conte a verdade. Você tem intenção do que escreveu no quadro? Há alguém que você quer ver morto?
JOSH:Por que a galinha atravessou a estrada?
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Para evitar responder as perguntas.
JOSH:Estou fora daqui.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Você precisa de sessões de psicoterapia para voltar à escola.
JOSH:Talvez eu não vá volte à escola.Talvez eu entre para uma gangue.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Não acha isso autodestrutivo?
JOSH:E daí? Minha vida é um lixo. Talvez eu me mate.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):BUM. Não mais a dor..
ATOR 5 (VOZ NO ESCURO):Você ouviu sobre o Josh?
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Não, o que?
ATOR 5 (VOZ NO ESCURO):Estourou os miolos.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Que perdedor.
ATOR 5:Sempre foi um covarde.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Você pensa sobre suicídio, Josh?
JOSH:Às vezes.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Como quando?
JOSH:Quando eu ouço as vozes.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Que vozes?
JOSH:Vozes. Eu posso imaginar o que estão dizendo sobre mim.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Vozes no ar ou dentro da sua cabeça?
JOSH:Na minha cabeça.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Vozes de quem?
JOSH:Garotos.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Garotos que você conhece?
JOSH:Garotos, garotos, todos os garotos da escola.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):E por que isso o incomoda?
JOSH:Só... Incomodam, ok?
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Ouviu sobre o Josh?
ATOR 5 (VOZ NO ESCURO):Não, o que?
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):A diretora fez ele ver um psiquiatra.
ATOR 5 (VOZ NO ESCURO):O fantasma do quadro negro está fazendo o curso de verão.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):O grande caçador vai repetir o ano. (todos riem.)
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Josh, eu realmente gostaria de fazer alguns exames médicos para avaliar se podemos aliviar sua dor com medicamentos. Você vai ter que passar a noite no hostipal.
JOSH:Na lixeira dos lunáticos? Você tem idéia de como vai parecer para os garotos do colégio quando descobrirem que sou um maluco? Minha vida é uma droga.
ATOR 4 (COMO PSIQUIATRA):Por que o macaco caiu da arvore? Por que eu atirei nele!
(Luzes do ator 4 saem)
JOSH:Idiota, idiota, idiota!
(vozes riem zombando)
Eu queria que alguém colocasse fim ao meu sofrimento!
(depois de um momento de silêncio absoluto.)
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Bum.
JOSH:Quem está ai?
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Bum.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Não mais a dor...
JOSH:Quem disse isso?
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Você.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Sua vida acabou, Josh.
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Acabada.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Acabada.
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Acabada.
JOSH:Quem está aí?
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Você.
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Você.
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Você.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Faça no quarto para seus pais verem.
(tambores batem de leve.)
JOSH:O que quer dizer?
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Deixe seus miolos na parede.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Faça-os se sentir mal.
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):O rifle está trancado naquele armário.
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Quebre o cadeado.
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Bum.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Não mais há dor...
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Josh, o fantasma, ficando um ano atrasado de seus amigos.
(vozes riem zombando.)
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Enquanto todos estão se divertindo, Josh está aprendendo o alfabeto num livro!
(vozes riem.)
JOSH:Calem a boca! Calem a boca!
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Só você pode fazê-los parar, Josh.
JOSH:Como?
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Você sabe como...
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Bum.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Uma bala vai silenciá-los para sempre.
(vozes voltam rindo. Os tambores voltam.)
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Pare com sua dor e acabe com as vozes na sua cabeça.
JOSH:Eu não quero pensar assim! (vozes riem.)
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Mostre a eles quem é. Toda a escola ficaria surpresa. Você se tornaria uma lenda.
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Mate as vozes, Josh.
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Bala na cabeça? Você nunca sentirá nada.
JOSH:Estou com medo. (vozes riem.)
JOSH:Como eu faço isso? (tambores saem.)
MICHAEL: E então você faz do seu rosto, uma máscara.
KATIE:Uma máscara que esconde seu rosto.
MATT:Um rosto que esconde a dor.
JESIE:A dor que come seu coração.
EMILY:Um coração que ninguém conhece.
JOSH:Mas e se... E se eu estragar tudo? (vozes riem.)
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Você será uma piada.
ATOR 1 (VOZ NO ESCURO):Você ouviu sobre o Josh? Tentou se matar e nem conseguiu.
(vozes riem.)
ATOR 3 (VOZ NO ESCURO):Agora ele é só patético suicida... em potencial.
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Josh, a piada. (vozes riem.)
JOSH:Eu não posso fazer isso. Vou ser Josh, a piada, para sempre.
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Então terá que pára-las de um outro jeito, Josh.
JOSH:Como?
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Duas caixas de balas devem ser suficientes. É quase hora do intervalo.
JOSH:Uau... Estarão todos na lanchonete agora.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Imagine seus rostos quando o caçador entrar. Eles o vêem em câmera lenta segurando seu rifle. Respeito instantâneo. Dia do julgamento.
JOSH:Como no filme.
ATOR 1 (VOZ NO ESCURO): Carlos.
ATOR 3 (VOZ NO ESCURO):João.
ATOR 5 (VOZ NO ESCURO):Os Silvas.
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):Os leve com você.
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Com você.
ATOR 5 (VOZ NO ESCURO):Com você.
JOSH:Yeah. Ninguém poderia superar isso.
ATOR 6 (VOZ NO ESCURO):Você não ouve mais as vozes rindo de você, não é, Josh?
ATOR 2 (COMO PAI, NO ESCURO):Josh? Você está em casa?
(os tambores voltam. As vozes rindo vão crescendo com a batida do tambor.)
JOSH:Quem é?
ATOR 2 (COMO PAI, NO ESCURO):Josh, está em casa?
ATOR 1 :Eles o levaram para a lixeira dos lunáticos.
(luzes no ATOR 1, como pai de Josh.)
ATOR 1 (COMO PAI):Josh, a doutora me ligou hoje e pediu a sua mãe e eu para te levarmos ao hospital... Como conseguiu o rifle?
ATOR 2 (VOZ NO ESCURO):Não amarele agora!
ATOR 4 (VOZ NO ESCURO):A não ser que queira ser Josh, a piada.
ATOR 1 (COMO PAI):Abaixe isso! (ATOR 1 avança. Os tambores crescem.)
MORTOS E TODOS: MORTO! MORTO! MORTO!
(luzes no ATOR 1. Ele se vira para a platéia e fica parado.)
JOSH:O que foi que eu fiz?
ATOR 3 (COMO MÃE):Josh? Que barulho foi esse?
JOSH:Mãe? (luzes no ATOR 3.)
ATOR 3 (COMO MÃE):Josh, o que você fez?
MICHAEL:Faça do seu rosto, uma máscara.
KATIE:Uma máscara que esconde seu rosto.
MATT:Um rosto que esconde a dor.
(ATOR 3 se ajoelha e finge mexer no corpo que não vemos.)
JESSIE:A dor que come seu coração.
EMILY:Um coração que ninguém conhece.
JOSH: Eu te amo, mãe.
(Josh pisca a lanterna duas vezes.)
MORTOS E TODOS.:MORTO! MORTO!
(ATOR 3 vira de costas para o público. Todas as luzes se apagam. Josh segura a lanterna debaixo do rosto enquanto fala para as costas de seus pai.)
JOSH: Mãe?
(uma voz ao fundo começa a cantar “brilha, brilha, estrelinha” sob o monólogo.)
Pai? Você me obrigou a fazer isso. Eu queria matá-lo mas não o queria morto. Como eu ia contar o que estava em minha cabeça sem interrupções? Mãe? Como você está cantando se está morta? Pare. Você costumava cantar quando eu não conseguia dormir. Pare, por favor. Já não dói o suficiente? Acho que estou cansado de ser uma decepção para vocês todo o tempo. Por que é tão fácil falar com vocês agora? De todo modo, obrigado por ouvir.
(todos saem, menos Josh. Os mortos entram um a um, agora usando branco; Matt está numa camiseta branca, Katie numa blusa branca, Jessie numa camiseta branca, Michael numa regata branca e um boné branco virado para trás, Emily numa regata branca. Matt entra primeiro carregando um vidro de catchup, se senta e põe um pouco nas fritas imaginárias, começa a comer, e fazer o dever de casa. Katie entra, senta perto de Matt e pede a lição emprestada, Matt concorda, mas a pede que espere ele resolver o problema primeiro. Michael entra pedindo para Katie sair com ele para comer algo, Katie conta que foi aceita na faculdade. Emily diz para Katie que está atrasada, etc. Improvisam um papo casual que não interfira no enredo. Com a conversa crescendo, Matt pede silêncio para se concentrar no dever. Silêncio e então todos voltam a conversar no mesmo volume. Matt fecha o livro derrotado. Luzes somente no Josh, na posição militar. Silêncio. Pausa. Katie ilumina seu rosto enquanto fala.)
KATIE:Por que eu? Você gostava de mim.
JOSH:Você me deu o fora.                
KATIE:Por que teve que atirar em meu coração?
(alguém joga catchup nas mãos dela. Ela mancha a blusa no coração.)
JOSH:E onde você acha que atirou em mim? Por que fingiu que eu não estava aqui? Meus pais não me vêem. Os garotos na escola não me vêem. Você não me vê, sou invisível. (Michael dá um passo a frente.)
MICHAEL: Por que eu? Eu tinha bolsa por cauda dos esportes.
JOSH: Você era tudo que eu queria ser.
(Jessie aperta o catshup na mão de Michael. Ele dá um tapa na lateral da cabeça, no boné.)
MICHAEL: Por que teve que atirar na minha cabeça?
JOSH: Você devia ter percebido isso quando me empurrou.
(Jessie se aproxima com a lanterna sob o queixo.) JESSIE:Por que eu? Eu nem te conheço.
(Matt aperta do catshup na mão dela.) Eu nunca nem falei com você. Por que eu? Que direito você tem de tirar toda a vida que eu poderia ter tido? (da um tapa no abdome.) Se sentiu como um homem quando atirou no meu estômago? (Matt e Emily apertam o catshup nas mãos durante a fala.)
JOSH:Vocês não tem idéia do que é ser alguém num dia e ninguém no outro.
(Matt se aproxima, com a lanterna sob o queixo.) MATT:Por que eu? Eu tinha a vida inteira pela frente.
JOSH:Assim como eu.
MATT:(Matt  passa o catchup no colarinho da camiseta.) Como se sentiu atirando no meu pescoço?
JOSH: Eu não sei.
(Emily se aproxima, a lanterna sob o queixo.) EMILY:Toda a minha vida me ensinaram a perdoar. Que o perdão é para quem perdoa. Mas eu não posso. Não até saber o que realmente está em seu coração. Eu preciso saber, Josh. Por que eu? (passa o catchup no peito.) Por que eu?
JOSH:Se vocês sabem tudo o que eu penso, por que não sabem isso?
EMILY: Nós queremos ouvindo de você... Por que, Josh?
MICHAEL: Por que ela?
KATIE: Por que ele?
MATT: Por que eles?
JESSIE: Por que eu?
EMILY: Por que qualquer um, Josh?
JOSH: Às vezes eu odeio estar vivo, mas tenho medo de morrer.
JESSIE: O maior problema de estar morto é que a gente sente falta de tanta coisa.
EMILY:Nunca poderia dizer todas.
TODOS:Nunca.
MICHAEL:Eu sinto falta de viajar, as janelas fechadas e o som ligado.
KATIE:Eu sinto falta de deitar na minha e pegar no sono ouvindo um CD.
MATT:Eu sinto falta de levar foras das garotas.
JESSIE:Eu sinto falta de quando o garoto te olha daquele jeito! E você sabe que ele que ele vai te convidar pra sair!
EMILY:E aí ele diz, “me empresta um lápis?”.
(as falas se entrelaçam.)
MICHAEL:Eu sinto falta de quando ela responde antes de você acabar...
KATIE:Eu adoraria!
MATT:Eu sinto falta de quando você vai beijar ela e acontece e é muito, muito melhor do que você imaginava.
JESSIE:Eu sinto falta de jogar boliche.
EMILY:Eu sinto falta de ver a Jody quando ela me olha daquele jeito de quem vai me contar uma piada idiota.
MICHAEL:Eu sinto falta dos brownies duros na minha mãe.
KATIE:Eu sinto falta do meu cachorro quando chego da escola.
MATT:Eu sinto falta do meu cachorro pulando em mim e latindo ameaçando.
JESSIE:Eu sinto falta da cafeína.
EMILY:Eu sinto falta de quando você pega um par de jeans novos no armário e eles cabem certinho.
MICHAEL:Eu sinto falta das bolinhas de queijo.
KATIE:Eu sinto falta da Coca fazendo cosquinhas no meu nariz.
MATT:Eu sinto falta de me apaixonar por alguém.
(Emily toma a atenção. Todos olham para ela.)
JESSIE:Eu sinto falta de arrumar meu cabelo de manhã.
EMILY:Eu sinto falta de quando abre o e-mail e recebe uma mensagem que não esperava.
MICHAEL:Uma mensagem escrita para você.
(Katie se move para a frente do palco. Todos a seguem em suas falas.) KATIE:Eu sinto falta de pular na piscina num dia muito quente.
MATT:Eu sinto falta de espirrar.
JESSIE:Eu sinto falta de dormir.
EMILY:Eu sinto falta dos bons tempos na Louisiana.
MICHAEL:Eu sinto falta de andar de skate.
MATT:Eu sinto falta, mesmo na minha idade, de não conseguir dormir na véspera de Natal.
JESSIE:Eu sinto falta de aprender novas músicas no piano.
EMILY (PARA OS MORTOS):Eu sinto falta de cantar para o rádio na frente do espelho.
MICHAEL:E fingir que estou num show!
MATT:Eu sinto falta do lanche de domingo.
JESSIE:Eu sinto falta dos donuts de creme.
EMILY:Eu sinto falta de abrir a porta num dia frio de inverno e sentir o ar frio na minha cara.
MICHAEL:Eu sinto falta de catar as garotas.
KATIE:Eu sinto falta de pular num trampolim com 6 pessoas ao mesmo tempo.
MATT:Eu sinto falta de nadar naquela fonte à meia-noite.
JESSIE:Eu sinto falta das pessoas olhando.
EMILY:Eu sinto falta do olhar do meu irmão quando ele está prestes a usar o novo golpe de judô em mim.
(Musica pára. Josh interrompe.)
JOSH:Eu nunca pensei que estivesse tirando tudo isso de vocês! Nunca!
MICHAEL:Nunca? O que você sabe sobre nunca? Eu nunca vou fazer tudo o que quis fazer.
TODOS:Nunca.
MATT:Eu nunca vou fazer tudo o que quis.
TODOS:Nunca.
JESSIE:Eu nunca vou saber o que eu sempre quis saber.
TODOS:Nunca.
EMILY:Nunquinha.
KATIE:Eu nunca vou ser tia.
TODOS: Nunca.
MICHAEL: Eu nunca realmente vou me conhecer.
KATIE:Eu nunca vou descobrir todas as receitas da minha mãe.
MATT:Eu nunca vou ter a chance de fazer meu pai orgulhoso de mim.
JESSIE:Eu nunca vou chorar na formatura dos meus filhos.
EMILY:Eu nunca vou ver Paris.
JESSIE:Eu nunca vou ter um epitáfio que lê: “Mãe amada, avó e esposa. (Pausa) Morreu aos 17”.
JOSH:O que vocês querem de mim? Eu não posso trazer as suas vidas de volta! Se eu pudesse, eu faria! Vocês não vêem isso? Acabou! Acabou!
MICHAEL:Acabou para nós, Josh.
KATIE:Mas está só começando para você.
MATT:Pelo resto da sua vida.
JESSIE:Você vai nos ter na sua cabeça até morrer.
EMILY:Vai nos ver de novo...
MICHAEL:E de novo...
KATIE:E de novo...
MATT:De novo e....
JESSIE:De novo...
EMILY:Como você viu ontem na lanchonete.
TODOS:MORTO!
(Katie cai morta no chão.)
MORTO!
(Jessie cai.)
MORTO!
(Matt cai.)
MORTO!
(Emily se joga nos braços de Josh, e cai. Josh toca seu sangue e chora. Uma luz em Josh.)
JOSH: Eu não sabia que seria para sempre. Eu pensei que era só “bang bang você morreu” de novo. Eu pensei que poderia apertar o reset e começar de novo. Por que não posso ter outra chance? Quando eu os matei, matei também as minhas possibilidades.
Eu nunca vou poder esperar nada. Nunca.
(um por um, os mortos se levantam lentamente como num sonho e saem do palco, desligando suas lanternas.)
Esse é o resto da minha vida?
(Josh cai de joelhos, devastado.)
Oh Deus.
(Emily ilumina Josh, por um segundo.
As luzes se apagam.)
FIM

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Uma aula de teatro

Um plano de aula de teatro....

1- ATIVIDADE COM OS NOMES Para inciar o primeiro dia de aula, fizemos aquela velha conhecida atividade dos nomes: em círculo, alguém fala o seu nome e ele faz um gesto, aí todo mundo imita... Quando for a vez do próximo, faz a mesma coisa, nome e gesto. Aí todos falam os nomes e fazem os gestos dos dois. No final teremos o nome de todo mundo e o gesto de todos. Depois fazem só os gestos sem falar o nomes. Esta atividade é tri boa para conhecer os nomes e trabalhar um pouco a memória e a capacidade de decorar.




2- PÉ DE LARANJA - Depois passamos para uma atividade recreativa para a integração: Meu pé de laranja. Atividade no qual os alunos devem sentados, lado a lado, passar a bolinha de seus pés para os pés do colega, JAMAIS poderão usar as mãos, se a bolinha cair, terá que usar os pés para pegá-la. Este atividade pode ser competitiva, mas como eu não primo por isso, deixo mais de forma de integração e cooperação mesmo...






Dar ideias às crianças: pentear-se, comer,
tomar banho, fritar um ovo....

3- O ESPELHO: A atividade do espelho: Um clássico dos exercícios teatrais. Os alunos são divididos em duplas, onde um fará o comando (movimentos) e o outro será o espelho, que imitará o movimento do colega. A gente tem que cuidar para que eles façam movimentos um pouco mais lento do que o normal, para que a sincronia possa se estabelecer. Se os alunos tiverem dificuldades, é legal que o professor dê sugestões para eles, tais como: pentear-se, escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa, limpar a casa, amarrar os cadarços. 
Como gostam de dizer os seguidores de Viola Spolin, o FOCO aqui seria o do movimento sincronizado. O aluno e a aluno tem que ter e mente que não poderão de desviar do sincronismo.





Depois que eles estiverem bem concentrado e mais sincronizados pode se fazer muitas variações (normalmente eu uso cada variação em uma aula).

1- Uma pessoa faz e 3 ou são os espelho.

2- Em duplas, elas devem executar a atividade (por exemplo colocar um casaco) em 15 movimentos.

3- Variações de pesos e tamanho do objeto manuseado ao executar a atividade.

4- Em duplas, um deve ser muito rápido com o objetivo de que o cara que imite não consiga imitá-lo, e este tem o objetivo de ser tão rápido e conseguir acompanhar. (Esta atividade é muito boa e cansativa).



FOCO: sincronismo

4- ATIVIDADE DE IMPROVISAÇÃO
Por último fiz a improvisação do TRANSFORMA. No início gosto muito de pegar a mesma cena e tentar explorar o máximo de possibilidades daquela mesma cena. Exemplo: o aluno está de pé e com as mãos para o alto, que cenas poderíamos  ter? (Alguém rezando, passando mal, brincando de pipa, brincando de jogar um neném para cima.... Pensam e fazem, porque isto é o importante do teatro, FAZER, AÇÃO) Gosto de iniciar com esta improvisação porque é relativamente uma das mais fáceis, e hoje em dia com a popularização de alguns programas pela tv e youtube, muito de nossos alunos têm a ideia de jogos de improvisação). Sempre é bom perguntar e deixar claro o que é improvisação... Sem muito, ou nada, o que pensar e planejar.... Vai e faz...Isso aqui dá uma aula de 1 hora a 1h30min.
Posto aqui alguns vídeos para deixar mais claro o que postei, sem dúvidas que o nível de exigência e qualidade destes atores aqui é profissional


Quem ver, gostar, odiar ou alguma coisa utilizar, por favor, se possível, postar!!!!

Teatro-Fórum no encontro “A arte de mediar conflitos que geram (in)disciplina.”

Neste final de semana tivemos (27 e 28 de abril), no Instituto de Educação Ivoti, o primeiro encontro de professores Conselheiros da Rede Sinodal que se chamou “A arte de mediar conflitos que geram (in)disciplina.”
No dia 27, uns alunos de teatro e eu fizemos um trabalho que se chama " TEATRO-FÓRUM", onde colocávamos conflitos em cena e pedia sugestão para a plateia para que aquela situação fosse resolvida, que atitude o professor deveria tomar...
É um trabalho que exige bastante versatilidade dos alunos, já que a improvisação é importante, pois colocamos a ideia da pessoa em cena.
No TEATRO-FÓRUM, a "parede" que divide a plateia dos atores é desfeita pelo diálogo que é estabelecido entre os espectadores e atuadores.
Bem, funciona de tal forma: a encenação é baseada em fatos reais, onde, no nosso caso, mostramos conflitos em sala de aula, onde exigia uma "decisão"por parte do professor.
Como o nosso tempo era curto a gente não conseguiu desenvolver um dos aspectos mais importantes que é fazer os espectador assumir um papel, ele dar a sugestão e executá-la.
Apresentamos as seguintes situações:

1- Do aluno que ao receber a prova, raga -a e a joga no lixo, reclama dizendo que não adianta estudar, já que mesmo estuando tira notas baixas.






2- De uma aluna que "fede" por não tomar banho e por causa disto todos os outros alunos não querem ficar perto dela e nem fazer trabalho com ela.








3- Dois alunos começam a brigar, a se estapear, ou seja, chegam a agressão física.



4- O professor tenta encarecidamente a falar com a mãe de aluno que nunca responde aos chamados e não vai à escola.


As outras duas cenas seguintes não foram apresentadas porque tivemos um problema de tempo, mas msmo assim deixo uma foto de nosso ensaio e sobre de que tema tratava cada cena.

1- Envolvendo celulares e tablet´s


2- Namoro em sala de aula.


Quero muito agradecer aos alunos que estiveram junto comigo em mais uma empreitada. Muitos elogios para nós e nosso trabalho....
MERDA, sempre!!!









Aí fica uma dica para quem quer e gosta de fazer uma discussão de forma diferente. É uma dinâmica bem conhecida e desenvolvida por Augusto Boal.




"aquele que transforma as palavras em versos transforma-se em poeta; aquele que transforma o barro em estátua transforma-se em escultor; ao transformar as relações sociais e humanas apresentadas em uma cena de teatro, transforma-se em cidadão".


Para quem se interessar deixo uma bibliografia que muito vai auxiliar: BOAL, A. O arco-íris do desejo: método boal de teatro e terapia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

sábado, 21 de abril de 2012

Fotografia: exercícios de composição

Os alunos novos da aula de Produção de vídeo colocaram em prática a ideia de luz,sombra e cores em fotografia.
A nossa aula inaugural foi com o fotógrafo Robson Kunz, creio que as teorias estão ganhando "corpo". Selecionei algumas fotos que achei bonitas, bem bonitas e super bonitas. Isso aí foi feito por alunos do Ensino Médio. A gurizada está de parabéns.
A ideia é como usamos, de forma consciente, a fotografia no "vídeo". E cada vez mais ficar mais doente e afixionado com a composição da cena, coma  a beleza da imagem, daí começa a nascer a arte...














Uma coisa que aprendi e comecei a apreciar é a foto descentralizada (sei que pra muitos isso já é uma coisa mais do que sabida, mas como dizem: o óbvio deve ser dito de novo e de novo e de novo...)












"E eu era a imagem do que eu não era, e essa imagem do não-ser me acumulava toda: um dos modos mais fortes é ser nagativamente.
Como eu não sabia o que era, então "não ser" era a minha maior aproximação da verdade: pelo menos eu tinha o lado avesso: ou pelo menos tinha o "não", tinha o meu oposto. O meu bem eu não sabia qual era, então vivia com algum pré-favor o que era o meu "mal".
E vivendo meu "mal", eu vivia o lado avesso daquilo que nem sequer eu conseguiria querer ou tentar".
Clarice Lispector

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Excursão Artística 2011, ou melhor: Excursões Artísticas






Se tem uma coisa que faz a nostalgia vir a tona para um excursionista é ver uma apresentação da Excursão Artísitca. A primeira coisa que surge na gente é a comparação. Compara-se tudo... A música de entrada, o teatro, as músicas do coral, as esquetes em português e em alemão, as danças gaúchas, a bandinha, a orquestra, a dança alemã e o vocal final.  Compara-se mesmo, sem dó e claro, que normalmente, a que a gente faz parte sempre é a melhor.
Cada Excursão Artística é única. Cada uma tem suas especificidades tanto artística como emocional. Como escreveu o Excursionista Clóvis Strassburger em 2010, “Com um movimento constante eelegante, move-se a curtina, acendem-se as luzes para um novo espetáculo, o silêncio
paira por instantes de tensão, rompendo-a somente um lúcido acorde de um violão. Recomeça então, mais um ano de Excursão!
Tem coisa que a gente gosta, tem coisa que a gente não gosta.  Tem coisa que é diferente, tem coisa que é muito comum. Tem gente que surpreende, tem gente que continua mesma. Mas tem uma coisa que é de matar.  O VOCAL FINAL... Tu pode ter segurado o choro, a saudade, revivido e lembrado dos momentos em que tu tava no palco, mas no vocal final a gente se esquece de tudo e se lembra de tudo. Os olhos e as lágrimas fazem parceira... Não tem como não chorar, dá aquele aperto no coração... Tudo reaparece em instantes: as brigas, o frio, o cansaço, as apresentações, os erros, os hospedeiros, as amizades, os cheiros, os amigos... E sem dúvida a certeza de que valeu a pena ter a vida carimbada por este momento que se chama EXCURSÃO ARTÍSTICA.
O que eu desejo para a Excursão Artística 2011 é muita VIDA.... Vida foi a letra da música do Vocal final da Excursão Artística 2008.  (O que está em caixa alta me lembra muita coisa)

Vida é chuva, é sol
Uma fila, um olá
UM RETRATO, UM FAROL (Quem não  tem uma fotinho guardada?)
Que será que será
Vida é um filho que cresce
UMA ESTRADA, UM CARINHO
É UM POUCO DE TUDO
É UM BEIJO, UM CARINHO
(Só quem viveu verá... hahahaha)

É um sino tocando, uma Fêmea no cio
É alguém se chegando
É o que ninguém viu
É DISCURSO, É PROMESSA
É um mar, é um rio
VIDA É  REVOLUÇÃO, É DEIXAR COMO ESTÁ

É uma velha canção, Deus nos deu, Deus dará
Vida é a solidão, é a turma do bar
É PARTIR SEM RAZÃO, É VOLTAR POR VOLTAR
VIDA É PALCO É PLATEIA, É CADEIRA VAZIA
É rotina, odisséia, é sair de uma fria
É UM SONHO TÃO BOM, é a briga no altar
Vida!!! É um grito de gol
É um banho de mar 
É inverno e verão
Vida!!! É mentira, é verdade
E QUEM SABE A VIDA É DA VIDA RAZÃO

Parabéns para todos e todas que fizeram parte de alguma excursão Artística em todos estes mais de 50 anos e parabéns para aqueles e aquelas que fazem parte atualmente e muita admiração para aquelas pessoas que virão para dar continuidade a esta tradição....
Edmar Galiza

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Coisas do coração!!!!!


Dizem que a gente tem que gostar de quem gosta da gente.... A gente pode até tentar, planejar, calcular, esquematizar... Mas a gente não escolhe de quem vai gostar... Quando eu falo em gostar, falo daquele gostar de querer ficar junto, que a gente pensa na outra pessoa sem querer... Quando você acha que está pensando em uma coisa, tá a figura aquela pessoa na sua mente. Este gostar não é uma escolha, é um assalto do pensamento ao coração, ou seria um susto do coração para desestabilizar o pensamento?? Não importa, a questão é que nada fica como antes...
Quando este gostar é correspondido, parece que a nossa casa e o nosso quarto é o próprio paraíso.... .
Sabe aquela pessoa que faz seus olhos brilharem mais do que o normal? Sabe aquela pessoa que só em chegar perto de você, faz e o seu coração saltitar até a boca? Sabe aquela pessoa que faz a sua respiração funcionar em câmera lenta? Que faz confundir a sua pele com a pele dela. É desta pessoa que você gosta, mas ela, por destino, ou por insensibilidade, ou gosto estético não gosta de você... Lhe nega, molesta seu seu sentimento.... Fazer o que?? É desta pessoa que você gosta... Não é uma escolha, é uma "fatalidade". Sofrimento na certa...
Mas quando o gostar é molestado ou até atacado pela pessoa de quem a gente gosta, parece que o demônio fica pulando o tempo todo em nossa cabeça... E a gente se sente humilhado, como se estivesse nu. Nu não de roupa, mas nu de sentimento...
Mas não seria este o valor da conquista??? Se tudo fosse fácil, do jeito que queremos, as coisas boas escorregariam pelos dedos, como a água em que nos lavamos todas as manhãs... O que seria do amor se não houvesse o sofrimento, aquela incógnita sobre a felicidade?
Enfim, mais do que gostar de quem gosta da gente, a gente tem que gostar da gente. TER AMOR PRÓPRIO. Porque o primeiro gostar, que eu acho que vai desencadear os outros "gostares", é o amor próprio. Sem este amor, os outros serão só "enxertos" de sentimentos.
Edmar Galiza
Obs.: este texto é em homenagem a uma jovial menina que está sofrendo de amor. Ela acha que é a primeira pessoa na face da terra que gosta de quem não gosta dela... Ela não é a primeira e nem será a última. Não revelarei seu nome, porque muitos de nós já passamos por isso. Este post serviria para muitos... E passa.... Quem nunca passou por isso, não sabe qual é o gosto de beijar uma boca desejada...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Estou que sou puro Narciso....



Narcisista, esta é a palavra que me definiria nestes últimos dias. Por causa de elogios, nada como um bom elogio. A gente, muitas vezes, esquece que um elogio é uma baita massageada para alma e o ego.
Não escreverei muito, pois estou "me achando" por causa de um depoimento de uma intercambista de Córdoba, Argentina. Um grupo de alunos do Instituto Catolico Superior, do curso de "Educacion Inicial" estiveram por uma semana fazendo um intercambio por aqui, em nossa escola, no Instituto de Educação Ivoti.
Eu não tinha praticamente nada a ver com o Intercâmbio, salvo uma atividade rápida na quarta a noite. Mas eu convidei o Fraco (Francoise Queliné), que estava hospedado na casa do vizinho, se ele queria participar das aulas de teatro com os adultos. Ele foi, mas no meio do caminho ele encontrou uma amiga, que encontrou outra, que encontraram um grupo. Resumo da opereta: 7 pessoa a mais.... A intercambista Cele Gavilán, deu um depoimento assim, no site da faculdade, finalizando assim a sua fala,
"La jornada de actividades parecía llegar a su fín, cuando una propuesta nos atrapó: el profe de teatro nos invitaba a formar parte de una de sus clases. Nos animamos y en sólo unos minutos, éramos un integrante más del grupo. Personas muy amables, divertidas y desinhibidas, hicieron de este momento una de las instancias mas gratas y sorprendentes hasta aquí vividas. Entre sonrisas, juegos, miradas, rondas y canciones, concluía el día con la satisfacción de haber vivido un verdadero intercambio. Un espacio en donde dos culturas se enriquecieron mutuamente, acortando distancias y valorando así el verdadero significado que encierra la palabra encuentro...
Besos y abrazos para todos por allá, se extraña ...
Celeste Gavilán - 3° año Profesorado en Educación Inicial, Instituto Católico Superior"


Migrando algumas coisas do Orkut para o Facebook, encontrei o texto que os alunos escreveram para o meu aniversário.
"Entre tantos professores sérios e velhos existe um que finge que o dia-a-dia é um palco e a rotina árdua para ganhar seus trocos de professor é uma linda peça de teatro, onde ele é o protagonista – aqueles protagonistas dos quais não se adivinha a história, que são inusitados e imprevisíveis. Esse protagonista, brincalhão e sério, adora ensinar aos seus pupilos a arte do teatro.
Apesar de suas dificuldades organizacionais, ele sempre tanta guiar-nos quando estamos suando em palco. Pois ele sabe o que faz. Seu sorriso largo e satírico são sua marca registrada, bem como o apelido de tio. Ele não é irmão, que é jovem e inexperiente; também não é pai, que é carrancudo e sem-graça. Ele é como um tio, uma mistura maluca entre irmão e pai, que compartilha horas de alegria com seus sobrinhos, mas também ensina-lhes coisa séria. Sabemos que por trás de seu disfarce existe um artístico palhaço colorido como as roupas que ele usa. Se tem uma coisa que aprendemos com o tio Ed é que professores são crianças como nós".
By grupos de teatro do IEI
Por causa destas coisas aí, eu estou "me achando"....
Quando a gente está desanimado de ser professor, de pensar que estamos perambulando sem sentido, aparecem estas coisas para nos dar forças e claro, alegria para continuar no luta.
A vida deveria ser, pelo menos para mim, uma arte, a arte do encontro e da brincadeira. Como levamos a vida muito a sério, metódico e de um modo meio carrancudo.

Beijos para quem é de beijo, abraços para quem é de abraços e os dois para quem é do dois.
Edmar Galiza